Certo
dia, num parque encantado pelos sons magistrais que a natureza emana
(potenciados pela bela manhã de sol), o João e a Teresa encontraram-se. Não
combinaram nenhum encontro, pois nem sequer se conheciam. Quando se cruzaram
houve o primeiro contacto ocular e, nesse preciso momento, ascendeu uma
sensação de tranquilidade e de alegria, sentida por ambos. A Teresa parou e,
com um sorriso (aparentemente) recheado de algum secretismo, perguntou ao João
se ele não se importaria de se sentar para ela começar a contar uma história em
voz alta. O João, sem hesitar, respondeu positivamente e sentou-se no banco do
jardim que estava mesmo ao seu lado. A Teresa, com um sorriso mais aberto,
também se sentou e abriu o livro que trazia consigo (segurando-o com muita
delicadeza, como se tivesse a segurar num recém-nascido) para começar a contar
a história. Passaram horas e a Teresa continuava a ler (e o João a escutar).
Ele não conseguia deixar de olhar para os olhos dela, pela tranquilidade que
eles espelhavam, nem conseguia desviar a atenção dos seus lábios que
articulavam docemente as palavras. Subitamente, a Teresa desloca o olhar do
livro, olha nos olhos do João e pergunta: «Queres que continue?». O João
manteve-se em silêncio por breves instantes e, fixando-se no seu olhar, depois
respondeu (tendo tecido antes um belo sorriso): «Não estava à espera que
parasses!». Após estas palavras, a Teresa largou umas pinceladas de lágrimas.
Para que o João não ficasse incomodado, ela logo lhe disse: «Eu estou a chorar
de alegria. Ao longo dos meus anos de existência nunca tive ninguém que me
escutasse verdadeiramente. Como és capaz de me escutar sem me conheceres de
lado nenhum?». O João prontamente respondeu: «E tu, como és capaz de me contar
uma história tão interessante e tão íntima sem saberes quem eu sou, o que faço
ou o que sinto? Só mesmo alguém especial é que abre um livro com páginas
vazias, sem letras, sem códigos, sem linhas, completamente brancas, e conta-me
a história da sua vida, sem gaguejar, sem desrespeitar as vírgulas e os pontos
finais, mesmo não estando lá nada disso, e não necessitando de olhar para mim
enquanto conta a história, revelando, assim, total confiança na minha pessoa.
Jamais me esquecerei deste momento. Sabes, nunca ninguém me contou uma história
tão bela! Podes continuar. Não pouses o livro, não feches essas páginas cheias
de esperança e magia. Continua a falar que eu vou continuar a escutar-te com
muita atenção». Enquanto o João falava, o olhar da Teresa brilhava
intensamente. Após o João ter terminado, a Teresa disse-lhe apenas uma palavra,
«Obrigada», e continuou a contar a história. No final da história, na última
página do livro (recorde-se, um livro sem palavras), a Teresa, olhando no olhar
do João, terminou dizendo: «O meu nome é Teresa!». O João fechou o livro à
Teresa, pegou suavemente na sua mão, olhou para os seus olhos, como nunca antes
tinha feito com outra pessoa, e disse: «Muito prazer! Tens um nome lindo! O meu
nome é João!».

Como é maravilhoso termos alguém que nos ouça, sem interrupções. Que nos ouça de coração aberto. Não nos julgue pelo que acabámos de dizer.
ResponderEliminarParabéns pelo texto e por tudo o que escreves.
É mesmo magia ler as tuas letrinhas. Elas, fazem-nos voar.
Beijinhos
Luisinha
É mesmo maravilhoso! É nas relações que amadurecemos e que aprendemos a (re)conhecer e valorizar o que de melhor existe no ser humano.
EliminarSaber que as mensagens que partilho provocam efeitos positivos na vida das pessoas, alegra a minha vida. Obrigado. :)
Beijinhos