A
época natalícia e as festividades que dão as boas vindas ao novo ano (e se
despedem do antigo) têm um valor simbólico importante (independentemente da
atribuição mais ou menos religiosa que possa ser dada a este período festivo).
São momentos que podem proporcionar oportunidades de transformação muito
grandes na vida das pessoas e dos sistemas familiares.
Na
época natalícia as pessoas têm a oportunidade de partilharem as suas angústias
e as suas alegrias junto de quem lhes é querido; juntam-se lágrimas, risos e
sorrisos na mesma sala; convivem pessoas de várias gerações; enfatiza-se o
mundo fantasioso das crianças; degustam-se boas receitas (mais inovadoras e/ou
mais tradicionais); distribuem-se afetos; vive-se um espírito familiar de cariz
comunitário, onde todos se ajudam com enorme alegria e com um sentido comum; e
trocam-se olhares e apimentam-se relações. De facto, estes momentos vividos,
sentidos e apetecidos são tão especiais que as pessoas jamais os esquecem e
querem sempre repetir. A questão que se pode levantar é a seguinte: nos tempos
atuais este espírito reina (de verdadeiro convívio, onde há interação entre
todos) ou há apenas um «estar sob o mesmo teto», ao estilo «marcar presença» ou
«cumprir calendário»?
Depois
desta fase mais caseira e deste cruzamento de relações surge o momento de
pensarmos em nós próprios e em como podemos ajudar os outros na entrada do novo
ano (ano novo, vida nova). Neste momento tão curto (a passagem de ano), somos
capazes de pedir o «impossível» para nós e para os outros (à medida que se
saboreia as doze uvas passas, ao compasso das dozes badaladas). A imaginação
não tem limites, não há censura face ao que se pede (a alguém, a alguma coisa
e/ou a nós próprios, dependendo do nosso sistema de crenças). Para cada um de
nós, tudo é possível (ou pretendemos que o seja). É uma oportunidade de
transformar positivamente a nossa vida. É a magia da esperança e da busca pela
felicidade. A questão que aqui se pode colocar é a seguinte: será que lutamos
para fazer o caminho que nos leva ao(s) destino(s) desejado(s) ou apenas
ficamos pela vontade (com a esperança que num dia possa cair do céu, mesmo em
cima de nós)?
Talvez
devêssemos refletir sobre estas questões, de modo a que possamos repensar a
nossa forma de estar connosco próprios, nas relações, em família e na
sociedade. O segredo da felicidade está na nossa capacidade (e vontade) de
interagir, de criar laços com quem nos rodeia, de integrarmos no nosso
pensamento e nos nossos atos a vantagem de sermos seres interdependentes. O
segredo do sucesso e da realização pessoal (e relacional) está na ação
(precedida preferencialmente de planeamento e organização, que não é
aconselhável ser milimétrico), que é a concretização da vontade, do desejo, do
«querer». Assim, tornemos estes momentos especiais em processos e em estilos de
vida assumidos de uma forma responsável e madura. Boas festas! Sejam felizes!

Sem comentários:
Enviar um comentário