Um dia ensinaram-me
que “a vida é a arte do encontro…”. Tal afirmação invadiu positivamente a minha
vida e espero que nunca me despovoe. A mensagem que emana deste conjunto
artístico de palavras enaltece as vivências relacionais interpessoais
(especiais), espoleta poderes inesgotavelmente presentes na amizade, na paixão
e no amor, eterniza o prazer da nossa existência e cultiva modelos essenciais
para uma construção harmoniosa da vivência social.
Como
complemento da afirmação supracitada, sugiro que se considere a vida também como
a arte do reencontro. Já imaginaram o quão privilegiados seriamos ao observarmos
de perto ou de um ângulo muito favorecido um reencontro amoroso intensamente autêntico?
Eu, um apaixonado pelo estudo e pela vivência das relações interpessoais
(especialmente as relações de maior intensidade emocional, como são as relações
amorosas), tive a felicidade de assistir a um vídeo que, pelo reflexo da arte
de um reencontro amoroso, permitiu-me visualizar e sentir a força do maior
presente que a vida nos deu (para além da própria vida): a capacidade de amar (o
amor próprio, o amor pelo outro e pelas relações que construímos). Este vídeo,
que pode dar azo a múltiplas interpretações, deve ser visto por todos nós. Vou
partilhá-lo convosco (como muitas pessoas têm feito, desde que apareceu nas
redes sociais). Todavia, custa-me aceitar que alguém o veja com ligeireza ou
que, se o vir, o critique negativamente e com toques de insensibilidade e/ou
altivez e/ou indiferença. Este vídeo invade o espaço íntimo de duas pessoas e o
mesmo deve ser respeitado. Só a sensibilidade de cada pessoa pode apreciar e respeitar
este momento. Qualquer exploração comercial ou atrocidade fruto de indelicadeza
não é bem-vinda, mas a partilha genuína deste momento (por exemplo, através da
partilha do vídeo) considero essencial.
O vídeo que
se segue apresenta-nos um momento em que duas pessoas (Marina Abramovic e Ulay),
que viveram um amor intenso num curto espaço de tempo, se reencontram uns anos
largos após o término físico da sua relação amorosa (e do consequente
afastamento de ambos) – o que está para além deste pedaço descritivo de
história pode ser imaginado por cada um de nós. A
artista Marina Abramovic encontrava-se num espaço de arte a apresentar alguns
dos seus importantes trabalhos e uma das atividades implementadas, dentro do
contexto artístico do evento, foi a colocação de apenas duas cadeiras (e de uma
mesa) numa área grande. Numa cadeira sentava-se a artista e na outra uma pessoa
qualquer, durante um período de tempo definido e em que a regra de ouro era a “voz
do silêncio”. Ulay, também figura do mundo artístico, foi uma dessas pessoas. Assim,
Marina Abramovic foi surpreendida com a sua presença… Delicie-se
com este reencontro artisticamente real, realmente artístico e humanamente
autêntico. Apreciem a arte do reencontro (amoroso).

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