sexta-feira, 1 de março de 2013

A arte do (re)encontro (amoroso)





Um dia ensinaram-me que “a vida é a arte do encontro…”. Tal afirmação invadiu positivamente a minha vida e espero que nunca me despovoe. A mensagem que emana deste conjunto artístico de palavras enaltece as vivências relacionais interpessoais (especiais), espoleta poderes inesgotavelmente presentes na amizade, na paixão e no amor, eterniza o prazer da nossa existência e cultiva modelos essenciais para uma construção harmoniosa da vivência social.
Como complemento da afirmação supracitada, sugiro que se considere a vida também como a arte do reencontro. Já imaginaram o quão privilegiados seriamos ao observarmos de perto ou de um ângulo muito favorecido um reencontro amoroso intensamente autêntico? Eu, um apaixonado pelo estudo e pela vivência das relações interpessoais (especialmente as relações de maior intensidade emocional, como são as relações amorosas), tive a felicidade de assistir a um vídeo que, pelo reflexo da arte de um reencontro amoroso, permitiu-me visualizar e sentir a força do maior presente que a vida nos deu (para além da própria vida): a capacidade de amar (o amor próprio, o amor pelo outro e pelas relações que construímos). Este vídeo, que pode dar azo a múltiplas interpretações, deve ser visto por todos nós. Vou partilhá-lo convosco (como muitas pessoas têm feito, desde que apareceu nas redes sociais). Todavia, custa-me aceitar que alguém o veja com ligeireza ou que, se o vir, o critique negativamente e com toques de insensibilidade e/ou altivez e/ou indiferença. Este vídeo invade o espaço íntimo de duas pessoas e o mesmo deve ser respeitado. Só a sensibilidade de cada pessoa pode apreciar e respeitar este momento. Qualquer exploração comercial ou atrocidade fruto de indelicadeza não é bem-vinda, mas a partilha genuína deste momento (por exemplo, através da partilha do vídeo) considero essencial.    
   



O vídeo que se segue apresenta-nos um momento em que duas pessoas (Marina Abramovic e Ulay), que viveram um amor intenso num curto espaço de tempo, se reencontram uns anos largos após o término físico da sua relação amorosa (e do consequente afastamento de ambos) – o que está para além deste pedaço descritivo de história pode ser imaginado por cada um de nós. A artista Marina Abramovic encontrava-se num espaço de arte a apresentar alguns dos seus importantes trabalhos e uma das atividades implementadas, dentro do contexto artístico do evento, foi a colocação de apenas duas cadeiras (e de uma mesa) numa área grande. Numa cadeira sentava-se a artista e na outra uma pessoa qualquer, durante um período de tempo definido e em que a regra de ouro era a “voz do silêncio”. Ulay, também figura do mundo artístico, foi uma dessas pessoas. Assim, Marina Abramovic foi surpreendida com a sua presença… Delicie-se com este reencontro artisticamente real, realmente artístico e humanamente autêntico. Apreciem a arte do reencontro (amoroso).





   

    

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