De uma forma direta, este texto
dirige-se aos elementos do sexo feminino que sentem e pensam que ainda não
encontraram o amor da sua vida e cujas relações apaixonadas e/ou amorosas
vividas, até à presente data, foram sinónimo de desgosto e desilusão.
De uma forma indireta, este
texto pretende alcançar os elementos do sexo masculino que ainda não
conseguiram encontrar uma mulher que os aceitasse «para sempre» e/ou alguém com
quem eles próprios quisessem assumir um compromisso mais sério na linha do
tempo.
Há
uma frase que é bastante comum no mundo feminino e, implicitamente, emana uma
sensação de destino maldito. Com maior ou menor variação, a frase é a seguinte:
«Nunca tenho sorte com os homens que me aparecem!». Pelo seu bem-estar, tente
reformular esta afirmação. Quer uma sugestão/alternativa? Aqui vai: «Os homens
que me apareceram até ao dia de hoje não tiveram sorte porque não foram capazes
de valorizar a mulher que sou!». Se ler com atenção esta última frase, verifica
que é um pensamento mais próximo da realidade que está a viver (e a tentar
compreender). Mesmo assim, pode haver a tentação (empurrada pelo hábito) de
querer continuar a considerar a primeira frase porque a segunda, à primeira
vista, não a anula totalmente. Todavia, o desafio que lanço é o seguinte:
deixem de alimentar a mente com o primeiro pensamento e criem alternativas ao
mesmo, seguindo a minha sugestão ou encontrando vocês próprias uma com a qual
se identificam, de preferência respeitando a mensagem que vou tentar passar.
Se
está a produzir e a manter a primeira frase na sua vida, está a ser pouco
autocrítica e está a culpabilizar os homens que lhe têm aparecido (pois as suas
caraterísticas – as dos homens que lhe têm aparecido – não se coadunam com o
ideal de homem que foi construindo). Se optar pela segunda estará a fazer
exatamente a mesma coisa? Não me parece. Vejamos bem cada um dos pensamentos,
iniciando pelo primeiro: «Não tenho sorte…», logo «sou azarada» («O meu destino
será este?»); continuando, «… com os homens que me aparecem!», logo «o fruto do
acaso leva-me sempre ao mesmo, ou seja, ao encontro de fotocópias (mais ou
menos bem tiradas) que provieram de um modelo de fraca qualidade» (no limite,
há a tendência de verbalizar o seguinte: «Os homens são todos iguais!»). Assim,
«prevejo que o meu futuro vá continuar a pregar-me partidas desagradáveis e a
ser injusto comigo». Ora, a frase alternativa (que sugeri) decompõe-se da
seguinte forma: «Os homens que me apareceram até ao dia de hoje não tiveram
sorte …», logo «são azarados» (e/ou distraídos); continuando, «… porque não
foram capazes de valorizar a mulher que sou», logo «eu estou a valorizar-me (e
bem) e creio que algum dia vai aparecer alguém que encaixará na minha forma de ser
e de estar, esperando que nessa altura a reciprocidade desse encaixe esteja
presente». Encontrou diferenças? Eu encontrei. Na frase original há uma
autoculpabilização associada ao azar e numa perspetiva de passado, presente e
futuro, como se de um destino azarado se tratasse. Há também uma força
culpabilizante para com os homens, transportando consigo alguma raiva e
desgosto. Na frase alternativa não há nenhuma autoculpabilização, remetendo
para o outro as responsabilidades (e o azar), mas sem pretender causar grande
impacto na outra vida, e em si para com o outro, porque «apenas não funcionou
comigo, o que não quer dizer que não funcionará com outra pessoa». Para além
disso, a adoção da frase alternativa leva a que haja uma compreensão e uma
aceitação da dificuldade que é construir uma relação a dois (pela complexidade
inerente à fusão de dois mundos que, por si só, já são demasiado complexos) e
uma confiança em encontrar o seu par nalgum dia, quando menos esperar ou quando
mais esperar, porque o que aconteceu «até agora» não implica que «daqui para a
frente» o padrão tenha que se repetir (há uma verbalização que se remete ao
passado e não compromete o presente e o futuro). Afinal, homens e mulheres têm
todos a mesma vontade em encontrar o amor e a mulher ou o homem da sua vida,
pelo que a culpa e o azar não são para aqui chamados (e se forem, devem fazer
apenas parte do passado).
Termino,
assim, dizendo que na frase alternativa há uma visão positiva e até
humorística, enquanto na primeira há uma visão derrotista, sisuda e conformista
(e, muitas vezes, excessivamente dramática). Saliento, porém, que a mensagem
que quero passar tem o único fim de ajudar a «seguir em frente» quando a
relação (potencialmente) apaixonada e/ou amorosa não funcionou, sendo esta análise
– a posterior ao término da relação – desejavelmente feita com uma visão
(auto)crítica, construtiva, realista e clara (sem se cair no erro grosseiro de
enveredar pelo mundo desrespeitador do «descartável» (numa lógica hedonista ou
num registo comodista) e da «insensibilidade» (com um grau egocêntrico muito
elevado) ou no mundo excessivamente e quase exclusivamente autoculpabilizante
e/ou castrador do presente e do futuro). Devo dizer, ainda, como nota final,
que a mensagem ou as mensagens provenientes deste momento escrito não têm como
foco as relações amorosas que almejam um futuro risonho (de convivência e de
partilha) e em que pequenos ou grandes contratempos são bem-vindos para se
proceder a ajustamentos necessários à sua fortificação e consequente
continuidade (mesmo que não se perceba que a tendência é para esse caminho).

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