quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Amor entre amigos





Muitas relações de amizade evoluem para configurações relacionais mais centradas em objetivos comuns orientados para relacionamentos de especial intimidade (por exemplo, relações de namoro ou conjugais). Contudo, não pretendo dedicar este momento às relações deste tipo (que sofrem esta evolução), mas vou focar-me numa caraterística que está presente nestas últimas e aplicar às relações de amizade: o amor. Assim, vou falar do amor nas relações de amizade.
Acredito que as relações de amizade, mesmo sem evoluírem para outras configurações (como as mencionadas no início do parágrafo anterior), podem e devem assumir a presença do amor (sem tabus) dentro de si mesmas. É o amor entre amigos. Nós podemos amar os nossos amigos, sejam eles do mesmo sexo que nós ou não, tenham uma cor de pele semelhante ou distinta da nossa, assumam gostos e ideologias divergentes ou convergentes comparativamente com as nossas escolhas, ou adotem alguma caraterística (mais estável ou potencialmente variável ao longo do tempo) que esteja ou não em plena concordância com a nossa linha de pensamento. É amar os outros aceitando as suas diferenças, neste caso amar os nossos amigos em toda a plenitude da sua singularidade. Creio que não será difícil identificar o amor no meio do emaranhado de sentimentos e emoções que (sentimos e) vivenciamos com os nossos amigos. É, indubitavelmente, uma das razões que nos torna tão vigorosamente unidos.
Considerando o que foi anteriormente escrito, posso dizer que o amor não é exclusivo das relações de namoro e conjugais (ou de outras configurações análogas), pois também está presente nas relações de amizade (poderia até dizer que todas as relações interpessoais têm um forte potencial para se assumirem como relações amorosas, mas essa visão complexa e idealista, relativamente ao propósito e ao rumo da sociedade, ficará para um momento mais oportuno). É, em parte, por este extraordinário facto que partilhamos alegremente com os nossos amigos muitos sonhos, vivemos com eles muitas aventuras e estamos com eles quando mais precisam ou mesmo quando a necessidade está do nosso lado. Dito isto, parece-me claro o desafio que vos quero lançar. Comecem a assumir o amor que sentem pelos vossos amigos, através de uma técnica muito simples: a verbalização. Só falta mesmo não haver medo de verbalizar porque tudo o resto já todos vocês fazem muito bem, porque são pessoas extraordinárias para com os vossos amigos. Acreditem que esta verbalização trará resultados surpreendentes porque fará com que naturalmente assumam um compromisso incrivelmente maravilhoso.
Esta assunção (e este compromisso) é uma premente mudança (cultural). Deve-se, no entanto, respeitar o tempo que um processo desta natureza requer para alcançar os objetivos a uma grande escala. Todavia, é importante referir que se, por um lado, respeitamos e toleramos o processo de amadurecimento desta mudança, também devemos, por outro lado, ser fortes, persistentes e resistentes perante tentativas de desmantelamento forçado, arrogante, discreto ou dissimulado que queiram impedir esta evolução. Há sempre vozes discordantes, que advêm, entre outras razões, de alguma dificuldade de adaptação à mudança ou de falta de hábito (isto é, não é um fenómeno normativo, logo é estranho e criticável à primeira vista). Se, por alguma razão ou razão nenhuma, alguém vos acusar de banalizar o amor (pelo uso excessivo desta palavra, através da escrita ou da oralidade), digam-lhes que estão a ressignificá-lo e a universalizá-lo para que as relações interpessoais atinjam uma outra dimensão, em prol de uma sociedade mais unida, segura, confiante e feliz. Se mesmo assim eles não compreenderem, não se preocupem porque a mudança que vocês irão ou estão a implementar fará com que na linha do tempo a vossa forma de estar se torne mais estrutural na sociedade (isto é, uma base exemplar), fazendo com que todos comecem a compreender, a aceitar, a integrar, a amar e a transformar (a visão sobre) as pessoas, as relações interpessoais e as relações com o mundo. 

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