segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quero construir contigo a nossa liberdade







Podem optar por ler o parágrafo seguinte dedicando primeiramente o vosso tempo às frases ímpares e depois às frases pares.

Faz-me acreditar na nossa juventude. Ajudo-te a apreciar a candura que nos acompanha. Ensina-me a essência da paixão imatura. Levo-te comigo para o infinito dos meus sentimentos controversos. Pega na minha mão delicadamente. Seguro nos teus dedos carinhosamente. Alcança a maravilhosa mensagem do meu olhar luzidio. Regozijo-te com uma jovial visão que deseja ouvir a tua majestosa voz. Deleita-te com a doçura das palavras que profiro. Entrego os meus ouvidos aos compreensíveis e serenos sons expelidos pelos teus graciosos lábios. Divaga através dos meus pensamentos mais bizarros. Caminho contigo debaixo do calor revigorante do teu arrojo intelectual. Deambula pelo imaginário que projeto através dos meus desenhos. Ensino-te a transformar as letras em arte abstrata. Sente os aromas refrescantes das folhas que encantadoramente nos perseguem. Deixo-te acariciar os fios do meu cabelo para que possas sentir a sua textura perfumada. Imagina o sabor do ar natural que respiramos. Ofereço-te a pureza do meu saboroso beijo. Viaja somente pelo tempo presente da minha personagem. Ofereço-te momentos intensos de eternidade.
          
As mensagens resultantes do conteúdo presente nas várias linhas (transparentes) traçadas no parágrafo anterior pretendem ajudar a recriar uma incrível e vantajosa capacidade que nos permite (sobre)viver com mais audácia e inteligência. Refiro-me à mestria de convivermos atenta e genuinamente com as pessoas. Atualmente, os indivíduos não têm muita disponibilidade para desenvolveram as competências pessoais e sociais necessárias para uma boa implementação desta prática. Andam demasiado ocupados e não se podem des(con)centrar da sua individualidade. Há uma formatação, com regime de exclusividade, para as rotinas e para as problemáticas diárias de cada um. Por um lado, há quem viva sob uma grande agitação porque no quotidiano reina uma alucinante postura em torno de multitarefas (uma azáfama desenfreada) – nalguns casos por opção, em que as metas são sempre pontos de partida (sem direito a pausa), e noutros casos porque a necessidade assim obriga. Por outro lado, há quem deixe predominar nos seus dias a melancolia, o sedentarismo e a frustração, especialmente as pessoas que se sentem inúteis e incapazes por não conseguiram fazer nada para encontrar o melhor rumo para a sua vida, entrando num espiral recessivo de sentimentos e de emoções (exacerbado pela sensação de total impotência, que, por exemplo, a atual conjuntura socioeconómica espoleta). Para além destes casos, há ainda quem não esteja minimamente interessado em desenvolver este tipo de competências, mesmo tendo disponibilidade (física e psicológica) para tal. Sabem o que resulta de qualquer uma destas posturas ou formas de viver? Deixa-se de olhar, cheirar, sentir, provar, escutar e tatear com o envolvimento ideal e essencial para sentirmos o encantamento da(s) vida(s).
Considerando o que foi dito no parágrafo anterior, deve-se analisar com seriedade (o que requer alguma dedicação) as consequências desta «nova» forma de viver. Entre muitas que poderia listar, vou apenas apresentar a excessiva ansiedade e o stress (que, por si só, geram muitas outras). As pessoas estão tão ocupadas, com as tarefas e/ou com os pensamentos, que os níveis de ansiedade e de stress elevam-se de forma preocupante, ou seja, para estados que não são nada razoáveis, pois levam a um mal-estar pessoal e social – uma ansiedade debilitante e um stress incontrolável. As pessoas insistentemente abrem o foco da sua atenção para os potenciais perigos e para a incerteza angustiante do futuro (originando um medo constante), e ainda para os erros ou más escolhas do passado (que resulta em arrependimentos e frustrações avassaladoras e comprometedoras de um bom desenvolvimento dos sujeitos), exacerbados pela «falta de tempo» que dedicam à vida serena. Desta forma, estão a (contaminar e) não viver o presente (ele vai passando por si) e a deixar fugir oportunidades de vivências interpessoais extraordinárias que podem mudar o seu mundo de uma forma positiva e intemporal (inclusivamente, esta envolvência pode ajudar a encontrar respostas úteis e eficientes para a resolução dos problemas ou dos desafios da vida). Mediante tais constatações, deve-se dizer que está a acontecer claramente um desperdício de minutos de vida saudável quando se deixa de valorizar e de respeitar o ritmo natural das sensações, dos sentimentos e das emoções (no fundo, o ritmo da vida).
Efetivamente, o que foi dito no parágrafo anterior é a realidade dos «dias de hoje». Apesar de conseguirmos identificar que há cada vez mais pessoas a procurarem formas e fórmulas originais, criativas e empolgantes para viverem momentos de grande alegria (o desejo profundo de serem felizes), também reconhecemos que andam demasiado apressadas e desatentas, não permitindo a si próprias que encontrem o que pretendem (e, de certa forma, se encontrem). Se querem introduzir muitos momentos de alegria na vossa vida têm que começar a arquitetar uma mudança interna. Para ajudar na construção desse projeto transformacional, considerem que todas as informações que recebemos são sensoriais, ou seja, contactam primeiramente com os nossos sentidos. Continuamos (naturalmente) a recebê-las, mas não estamos a integrá-las, a interpretá-las, a compreendê-las, a aceitá-las, a vivê-las verdadeiramente e a partilhá-las, porque não respeitamos o ritmo da vida. É precisamente a este nível que se vai processar a mudança. Queremos tanto viver (e ainda bem!) que deixamos fugir o que nos permite fazê-lo de uma forma (mais) brilhante. Mas, felizmente, vamos a tempo de contrariar esta tendência. Assim, a questão que se coloca é a seguinte: como podemos e devemos agir? Para que possamos usufruir dos naturais presentes que a vida nos dá, temos de apreciar os momentos com a calma necessária que nos permita conviver harmoniosamente numa relação próxima com os outros e com a nossa essência e existência. Estejamos atentos às sensações através dos sentidos que todos conhecemos tão bem (mas que, por vezes, os utilizamos tão pouco a nosso favor): a visão, o tato, a audição, o paladar e o olfato. Descubram as surpresas extraordinárias que podem proporcionar a vocês próprios e aos outros, adotando atitudes e comportamentos mais serenos e atentos ao(s) ritmo(s) da(s) vida(s), privilegiando a criação e a manutenção ativa das relações com o mundo, em geral, e com as pessoas, em particular.
Portanto, construamos a nossa liberdade sensorial para que possamos valorizar mais a humanidade e todos os protagonistas da natureza. Uma construção baseada e consolidada nos maravilhosos detalhes da(s) vida(s), pelos quais nos devemos apaixonar. Tal como um escritor que decide iniciar o seu romance. Ele vive apaixonado pelos detalhes da história que está a criar no seu livro, pela descrição minuciosa de cada momento (temporal e espacial) vivido e sentido pelas personagens, fruto de uma dedicação exemplar (do autor) ao seu riquíssimo imaginário e à sua vivência real sensorialmente sentida. E também os leitores que quando estão envolvidos nas suas leituras viajam no tempo e no espaço e mudam a sua forma de ver o mundo (encarando a vida com mais determinação e perspicácia). Assim, optem por transportar estes exemplos e experiências para o contacto direto com o sensacional mundo em que vivemos, que é composto por magníficas e sábias pessoas e por singulares detalhes que estão para além de nós próprios. 



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